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domingo, 18 de outubro de 2009

O que é na verdade a verdade?

Uma questão que intriga não só filósofos de todas as épocas, mas também inúmeros cientistas de todas as áreas do conhecimento: Existe verdade? Pode-se chegar à um conhecimento verdadeiro? E se chegarmos a tal conhecimento, como vamos fazer para identificá-lo?

Esta Foi uma questão levantada pela Filosofia desde muito tempo. Segundo o ceticismo, era impossível se chegar a uma verdade absoluta, pois a mesma está sempre a se renovar. Mas como assim?

Encare da seguinte forma: Imagine que você tem a oportunidade de se encontrar com uma grande figura da "suprema corte" da intelectualidade do séc. XVII; vamos imaginar o filósofo Kant. Imagine a seguinte pergunta sendo feita a ele: “É possível se comunicar de forma instantânea com certo amigo que está no Japão neste exato momento?” Certamente sua resposta seria não. E a mesma resposta seria dada pelo físico Newton, e por demais celebridades do mundo do conhecimento da época.

Mas hoje sabemos que determinada proeza é perfeitamente possível. Então veja só: Um conhecimento que era considerado verdadeiro na época, passa de uma hora para outra a uma resposta ridícula no mundo atual.

Diante de tais dados, nos vem sem pestanejar a seguinte pergunta: É possível se chegar a um conhecimento verdadeiro, sem falhas em todas as épocas, e que não possa ser rebaixada a uma resposta simplesmente válida e não verdadeira.

Segundo o filósofo alemão Kant, o mesmo tomado como exemplo neste texto, o homem não tem condições de atingir o conhecimento verdadeiro da realidade que o cerca, isso por que, o mesmo não tem a capacidade cognitiva suficiente para entender o mundo que o cerca.

Segundo Kant, o homem somente chega a impressões da realidade, aparências do real. Dessa forma, o homem tem somente um conhecimento que apenas acredita ser verdadeiro, sendo impossível se chegar à verdade.

Parecida com a teoria kantiana, foi uma teoria desenvolvida por Schopenhauer, que traz outro elemento para completar a filosofia kantiana. Ele diz que além do homem não ter as condições cognitivas para entender o mundo, outro elemento o distancia do conhecimento da verdade, é a vontade.

Em seu livro, O mundo como vontade e representação, ele diz que o homem “só acredita no que quer acreditar”, ou seja, ele tem pressupostos naturais que o inclinam a determinado conhecimento. Essa vontade é construída desde seu primeiro dia de nascimento. Mais tarde, a mesma vontade de Schopenhauer seria abordada por Nietzsche como a vontade de poder. E depois Freud, a idealizaria como o inconsciente.

Mas essa pergunta que intitula nosso texto é muito complexa, podemos levá-la ao extremo: Será que estamos abordando verdadeiramente o tema? Será que a suposta verdade de que não existe verdade é verdadeira? Fica o questionamento para textos futuros.

por José Jr.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O homem e a "evolução".

“Devemos, no entanto, reconhecer, como me parece, que o homem com todas suas nobres qualidades... ainda sofre em sua prisão corpórea a infalível marca de sua humilde origem.” (Darwin)


Nessas palavras, Charles Darwin desabava uma verdade às vezes ignorada. Talvez seja a maior barreira de aceitação da teoria evolutiva. Perece que depois de milênios sendo o centro do Universo e obra prima da criação divina, uma drástica queda ao patamar de um primata pouco mais evoluído, é um golpe cruel no ego humano.

Às vezes é meio duro deixar de lado o que se crê e encarar o que parece mais obvio. É um grande peso da ciência, ser uma grande destruidora de crenças. Mas parece mesmo que a cada descoberta científica, um determinado livro bíblico é “queimado”.

Em sua obra prima, A origem das espécies, Darwin descarrega um dos maiores golpes contra as religiões. Ainda não superamos a idéia de sermos comparados a macacos que vivem nus na savana africana, e comendo frutas podres nas florestas tropicais da América do Sul. Isso não é nada confortável, vamos concordar, mas depois de várias evidências mostradas, fica praticamente impossível não concordar com Darwin.

A aparência física do homem pode ser comparada sem a menor cerimônia com a aparência física dos demais primatas, em especial o chimpanzé, considerado na “estrada” evolutiva, o mais próximo do homem.

O termo “humano”, no contexto da evolução humana, refere-se ao gênero Homo. Daí o termo homo sapiens, “O homem que sabe”. Essa com certeza é o que mais diferencia o homem dos demais primatas, a capacidade de pensar e raciocinar sobre seus atos, efeitos dos mesmos, e mesmo de sua própria existência.

Já é moda nos Estados Unidos tentar conciliar a teoria da evolucionista com a teoria criacionista. Parece a meu ver uma estupidez. Ora, mesmo o próprio Darwin ter dito em seu livro que tudo em que acreditava, ainda mesmo estando muito distante da realidade descrita na bíblia, não passava da criação divina, não vejo um modo descente de encaixe da criação com a evolução, a não ser que se jogue de uma vez por todas o Gênese janela a fora.

por José Jr.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder

O Mundo de Sofia (Sofies verden em norueguês) é um romance escrito por Jostein Gaarder, publicado em 1991. O livro foi escrito originalmente em norueguês, mas já foi traduzido para mais de 50 línguas, teve sua primeira edição em português em 1995, que atualmente se encontra em sua 61ª reimpressão. Somente na Alemanha foram vendidos 3 milhões de cópias.

O livro funciona tanto como novela, como um guia básico de filosofia. Também tem temas conservacionistas e a favor da ONU. Em 1999, foi adaptada para um filme norueguês; entretanto, não foi largamente publicado fora da Noruega. Esse filme também foi apresentado como uma minissérie na Austrália, se não em outros lugares. Também foi adaptado para jogo de PC pela Learn Technologies em 1998.

Sinopse


Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo em que vivemos. Os postais foram mandados do Líbano, por um major desconhecido, para uma tal de Hilde Knag, jovem que Sofia igualmente desconhece.

O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste fascinante romance, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países em que foi lançado. De capítulo em capítulo, de "lição" em "lição", o leitor é convidado a trilhar toda a história da filosofia ocidental - dos pré-socráticos aos pós-modernos -, ao mesmo tempo em que se vê envolvido por um intrigante thriller que toma um rumo surpreendente.
Resenha retirada da Wikipédia

quinta-feira, 19 de março de 2009

Um ensaio de lógica: Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

A primeira vista, parece uma pergunta idiota sem resposta. Mas, se advogados conseguem usar da lógica para libertar criminosos de suas culpas, porque não podemos usar a lógica para responder uma pergunta simples assim? Pois bem, é com o propósito de mostrar que na lógica tudo é possivelmente explicável, que vou tentar responder esta pergunta de uma forma racional e perfeitamente aceitável.

Para responder tal pergunta, devemos antes estar esclarecidos de certos “axiomas”, que por sua vez devem existir para que todas as respostas que temos para o mundo hoje sejam válidas. Mas o que são esses axiomas? Em suma, um axioma é um principio que deve ser aceito para podermos explicar outro. É um princípio do qual não deve ser duvidado. O maior exemplo de um axioma que posso dar é a figura de Deus. Deus é o maior axioma que existe. Se partirmos do pressuposto que todos os fenômenos são causados por outros fenômenos, temos que chegar a um ponto onde deve haver um fenômeno que não necessita ser causado, é o que Aristóteles chamou de “motor imóvel”.

A aceitação de axiomas é inevitável, pois sem axiomas cairíamos em um infinito de perguntas sem respostas, e para respondermos perguntas, devemos antes partir de um princípio do qual não se haja duvida, temos que admitir um princípio único de todas as coisas. Então se a pergunta é sobre a origem do Universo, as respostas são muitas. Segundo a teologia, Deus é um ser que sempre existiu e sempre vai existir, um ser sem início e sem fim. Sua própria definição inibe qualquer pergunta sobre sua criação, pois ninguém criou Deus; dessa forma, Deus passa a ser uma figura importante para responder como surgiu o Universo, ele simplesmente foi a causa de sua origem.

Mas se existem pessoas que não acreditam na existência de Deus, como podem explicar a origem do Universo? Admitem outro axioma, o “Big Bang”. Este é outro axioma admitido pela maioria dos cientistas, este diz que o universo surgiu da colisão de duas nuvens de gás, e esta explosão resultou na origem do Universo. Já os gregos, admitiram outro axioma; da mesma forma que os religiosos admitem que Deus sempre existiu, os gregos diziam que a “matéria” sempre existiu, e esta está em constante mutação, dessa forma, o Universo chegou a constituição atual.

Então vimos que para responder perguntas como esta, não podemos fugir da admissão de um axioma. No caso da pergunta que intitula este artigo: “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”, temos duas opções, ou escolhemos que o ovo veio primeiro, ou dizemos que foi a galinha. Então vamos lá; dos dois, precisamos escolher um, vamos escolher o que tem mais lógica então.

Hoje, sabemos que a galinha é fruto da evolução das espécies, e que não podemos dizer com certeza quem veio primeiro, mas se a questão é lógica, e pretendemos mostrar que ela pode responder qualquer pergunta, podemos responde-la sim.

Depois de analisar a figura dos dois, chegamos a ter que admitir que o ovo viesse primeiro. Mas porque tem que ser o ovo, e não a galinha? Bem, como disse temo que escolher o mais obvio, e dos dois, o ovo é a resposta logicamente mais aceita para responder esta pergunta. A galinha é um animal feminino, dessa forma, sua simples existência não resultaria na procriação da espécie, pois mesmo que ela viesse a por um ovo, este por sua vez teria enormes chances de ser um ovo estéril, pelo simples fato dessa galinha não ter tido relações com um galo, pois como sabemos, para poder gerar um ser, precisamos da contribuição das duas partes, do gênero masculino, e do feminino. Então vemos que a admissão da galinha como principio da existência de sua espécie, resultaria em um embate biológico. Mas, se por outro lado admitimos que o ovo veio primeiro, temos mais argumentos ao seu favor, do que a galinha.

Quando admitimos que o ovo veio primeiro, automaticamente admitimos que esse ovo é uma galinha em potencia, pois como sabemos, um ovo é um ovo em ato e uma galinha em potencia; mas a galinha, não pode ser um ovo em potencia, nem tão pouco em ato, pois essa já se encontra no ponto mais alto de sua jornada biológica. Então quando admitimos este ovo como o principio da espécie da galinha, devemos admitir que este vai sem duvida se transformar em uma galinha, que dará propensão á espécie. Este ovo não poderia ser estéril, como o que seria posto pela galinha quando a admitimos como principio da espécie, pois estaria obviamente propenso a se tornar uma galinha, tento em sua constituição todos os elementos que são necessários para sua evolução, ou seja, a parte masculina e a feminina.

Dessa forma, vemos que por motivos lógicos, que o ovo tem maiores condições ao seu favor de ter sido o primeiro. Então já temos a resposta para nossa pergunta, mesmo sabendo que esta resposta não é a verdade, ela é aceita, pois, é uma resposta racionalmente desenvolvida, nos padrões da lógica e do bem pensar.

Depois desses raciocínios chegamos à conclusão: certas respostas, por mais elaboradas que sejam, podem muito bem não ser a verdade. São princípios como este, que se valem os advogados mais bem sucedidos, eles usam a lógica para “ludibriar” certo numero de indivíduos, que estes por sua vez, tem nas mãos o poder de decidir se seu cliente é inocente ou culpado. Então nos cabe manter total atenção às respostas que nos são apresentadas, na maioria das vezes, ou sempre como diria Kant, elas não constituem a verdade, mas sim, uma simples ilusão de conhecimento.
Por José Jr.

Deus, um delírio - Richard Dawkins

Desde Nietzsche, provavelmente, que não se atacava Deus com tanta veemência. Nietzsche, há mais de um século, em O Anticristo, estava, conforme o título, mais preocupado com o cristianismo. Richard Dawkins mira e atira em todas as religiões, e usa a palavra "Deus" mais como uma alegoria.


Com elogios rasgados de gente como Ian McEwan e Steven Pinker, Deus, um delírio é um livro efetivamente brilhante, mas avançamos nas páginas sempre nos perguntando o que Dawkins pretende com toda essa artilharia. Afinal, é bastante difícil que os fundamentalistas leiam seu livro (é mais fácil, por exemplo, condená-lo à morte em vida, como fizeram com Salman Rushdie); e o "estado religioso", dos republicanos nos EUA, é passageiro, não é? Qualquer pessoa minimamente informada sabe que toda discussão de idéias, hoje, passa pela ciência e pelos cientistas.
Se ainda existe uma "vanguarda do pensamento", ela está mais inclinada para o lado dos homens de ciência do que para os humanistas puros (estes desnorteados diante da supremacia do capitalismo, do avanço das novas tecnologias e do fim de seus antigos "feudos"). Ainda assim, ainda que Deus, um delírio acerte em cheio nos argumentos, sentimos falta de um certo brilho na linguagem, de um repertório ― vá lá ― erudito e até de alguma ambição, digamos, filosófica.


O grande problema em matar "Deus" (leia-se: as religiões) ― mesmo desde Nietzsche ― talvez seja colocar outra "visão de mundo", com um acabamento de séculos, no lugar. Dawkins está certo: a religião sobreviverá como mitologia apenas; mas parece que ainda não surgiu o primeiro "filósofo" desta nova era...
Resenha de Julio Daio Borges

Quando Nietzsche Chorou - Irvin D Yalom

Foi com incrível rapidez que devorei esse exemplar, o que pode ser facilmente explicável em algumas colocações. O que falar de um livro que trata de um possível começo da psicanálise de forma séria e profunda? O que dizer de uma clarificação da personalidade de um dos mais cativantes e solitários filósofos do fim do século XIX? E o que dizer de um possível embate psicológico entre o Dr. Breuer (verdadeiramente um dos pais da psicanálise) e o poderoso e reservado Fiederich Nietzsche?

Sem criar estruturas narrativas complexas e diferentes esse livro faz o básico com incrível capacidade o que já é louvável por si só, quando vemos livros famosos sem o mínimo necessário para se tornarem tais a não ser pela publicidade e pelo esnobismo das classes ditas cultas que lêem e acham bom qualquer porcaria que seja lançada como um sucesso de vendas.


Não é só em seu conteúdo que o livro se destaca, mas também na forma como é proposto, magistralmente escrito ele possui todas as formas variadas e até hábeis de manter o leitor concentrado na trama, que muito bem (também) desenvolvida deixa momentos de tensão, angústia e relaxamento bem distribuídos ao longo dos capítulos, que chamam uns aos outros em seqüência, obrigando o leitor a não parar de ler até que vire as ultimas páginas, ficando com aquele sentimento de quero mais, já que está tão apegado aos personagens.


É com total cuidado que ele propõe possíveis diálogos entre os protagonistas, que existindo na vida real nunca se encontraram de fato. Refletem o peso de uma pesquisa cuidadosa de como eram, se comportavam e provavelmente agiam os personagens. Aplicando enxertos de cartas que realmente foram trocadas entre algumas pessoas como o grande compositor Wagner e a poderosa Lou Salomé, ele dá mais densidade e desconfiança da veracidade dos fatos, essa que só vamos descobrir ao ler os seus comentários no fim do livro, recomendo que leiam o livro sem saber o que é verdade ou invenção, pois dá um sabor maior à leitura.


Os cenários criados e suas interpretações assim como possíveis origens do estudo dos sonhos é algo que soa totalmente verossímil ajudando o leitor a entrar dentro da historia e praticamente viver conjuntamente essa historia que em sua origem é misteriosa, depois ficando angustiante e em seu final concluindo de forma tocante e emotiva. Todos os sentimentos são muito bem construídos passando ao leitor de forma automática e profunda.


Quanto aos artifícios utilizados são muito bem colocados, como perguntas no final de um capítulo que serão respondidas logo no começo do próximo, fazendo você virar a página automaticamente, a forma de propor o embate entre Breuer e Nietzsche que é feito de várias sessões e você não consegue terminar uma sem saber o que vai ser dar na próxima e quando essa freqüência é descontinuada você já está tão absorto na historia que esquece da vida. Outra qualidade é colocar o suspense logo de cara no primeiro capitulo nas primeiras páginas, deixando a pulga atrás da orelha sobre o que vai dar tudo aquilo.


Enfim, o livro é, além de ser um livro pop, muito bem escrito e magistralmente tocante, tanto para quem aprecia uma boa estrutura literária, quanto para quem quer conhecer, minimamente que seja, os personagens (que foram seres reais) ou quem é interessado em fatos históricos em uma reconstrução angustiante de uma época em que o homem se via preso (o que não mudou muito até hoje). Ou até para aqueles que se interessam em possíveis acontecimentos históricos, que nunca ocorreram.
Resenha de Leandro Diniz

quarta-feira, 18 de março de 2009

Nietzsche e o Nazismo: mais uma mentira do séc. XX

Assim falava Zaratustra, a principal obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche; ela é encontrada em livrarias, bibliotecas, atualmente até em bancas de jornal, e também nas mochilas de boa parte dos antigos soldados nazistas. Essa obra era uma leitura obrigatória para os nazistas e um elemento básico que reforçava os nortes ideológicos do Nazismo; mas nos deixa a questão: qual a verdadeira posição de Nietzsche em relação ao Nazismo?

Sem dúvida, Nietzsche foi um dos filósofos mais polêmicos da história, não somente pela sua crítica sangrenta às religiões – mais especificamente ao cristianismo – mas também pelas suas fortes influencias na ideologia dos regimes totalitários. Nietzsche foi profundamente influenciado por movimentos “racistas” de sua época, como o darwinismo social; sua filosofia está fincada na proclamação de um ser que superasse os limites humanos, o Übermensch (super-homem). Para se chegar a tal ser, a humanidade deveria ser submetida a uma espécie de “seleção”, que naturalmente extinguiria os mais fracos, sobrevivendo os mais fortes dos homens, dando origem a uma nova era, com novos valores. Mas mesmo tomando partido dos pensamentos nietzschianos, sua verdadeira posição diante do Nazismo é um tanto duvidosa.

O chanceler Adolf Hitler, tinha verdadeiro entusiasmo pela posição nietzschiana a respeito da seleção de uma raça superior. Não por acaso que um de seus presentes ao seu aliado Benito Mussolini tenha sido uma versão de luxo de todas as obras do filósofo; e também fora presenteado pela irmã de Nietzsche, Elisabeth Föester-Nietzsche, com a bengala do filósofo. Em sua obra A minha luta, Hitler descreve-se como a encarnação do “super-homem” descrito por Nietzsche. Mas muitos concordam em dizer, que Hitler não se empenhou a estudar profundamente o pensamento nietzschiano, mas usava como inspiração para seus soldados, frases soltas retiradas das obras de Nietzsche.

Não existem dados que comprovam o envolvimento pessoal de Nietzsche com o Nazismo. Por outro lado, sua irmã Elizabeth, era simpatizante declarada do movimento nazi-fascista. Foi ela quem tomou conta de seu irmão depois de seu surto psicológico. Depois da morte de Nietzsche, ela descobriu em suas obras um negócio rentável, investindo em versões de bolso das obras do irmão, chegando até a adaptar seus livros para atender a interesses pessoais.

Em um gesto simbólico, Elizabeth presenteou Hitler com a bengala de Nietzsche, como se fosse um gesto de aceitação e de encorajamento para seguir adiante com a idéia do desenvolvimento de uma raça superior, que segundo ela, seu irmão Nietzsche era a favor. E foi seguindo essas adaptações feitas pela irmã do autor, dando um sentido e caráter unilateral de seu pensamento, que Hitler se encantou coma figura do filósofo. Era a idéia de formar no futuro uma raça superior privilegiada, e um restante de pessoas que não seriam nada mais que submissos; que viveriam de acordo com a lei de obediência. Só os mais fortes teriam direito de comandar. Esse direito seria dado ao ser supremo, o super-homem, que não estaria sujeito a nenhum julgamento. Essas idéias encaixavam-se como uma luva para o pensamento de Hitler.

Nietzsche não demorou muito para perceber que o darwinismo social não estava seguindo o que tinha em mente. Nietzsche era explicitamente contra o movimento anti-semita, e repudiava qualquer tipo de racismo, considerando-o uma estupidez. Segundo Nietzsche, a elevação à categoria de “super-homem”, se daria primeiramente com a “morte de Deus”. Claro que Nietzsche não partia do pressuposto da existência de Deus, mas esse Deus citado por Nietzsche, representava todos os valores cristãos, que segundo ele, enfatizavam a fraqueza e a ignorância. Depois da morte de Deus, o homem estaria sem um pilar de sustentação, onde a humanidade passaria então por uma “seleção natural”, que somente sobreviveriam os homens mais fortes, dando lugar a uma nova classe de valores. A religião segundo Nietzsche, era um ponto de controle das mentes mais fracas, que enfatizavam mais ainda a ignorância, e a compaixão, um sentimento para fracos segundo Nietzsche, pois contradizem todas as regras naturais de sobrevivência.

As críticas a Nietzsche, tomando como ponto de partida sua sustentação do Nazismo, partem sempre dos leitores ingênuos. Suas obras são compostas por aforismos, frases que podem ser interpretadas de vários modos quando não estão dentro do seu contexto. Uma leitura completa de uma obra de Nietzsche visa validar seu total repúdio ao movimento anti-semita. Aliás, uma das razões de seu rompimento com um de seus mais íntimos amigos, o compositor Richard Wagner, deve-se ao seu demasiado apoio ao movimento, levando o compositor até, a promover panfletos divulgando a ideologia do movimento. Os aforismos utilizados por Zaratustra (Nietzsche) como o “super-homem” permitiram manipulações do conteúdo do texto assim como os pastores e padres fizeram com a bíblia em beneficio próprio.

Nem mesmo os críticos mais empenhados do pensamento de Nietzsche, usam seu suposto apoio ao Nazismo, e concordam e afirmar que houve sim, evidentemente, uma apropriação feita pelo Nazismo do pensamento nietzschiano.

Nos dias atuais, Nietzsche é um dos filósofos mais lidos e influentes, segundo alguns, ele é um dos responsáveis pela falta de estrutura da sociedade, devido a sua crítica aos valores cristãos. Mas seu pensamento resiste às críticas negativas de seus ideais, por tal fato, seu pensamente influenciou vários filósofos do séc. XX, como Foulcault, Derrida, Sartre, entre outros; e continuará influenciando, e assim como todo rebelde inovador, Nietzsche continuará a ser mal-interpretado e acusado.
Por José Jr.